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A Justiça e a Lei

Eu sempre fico bastante decepcionada com o papel que o judiciário desempenha em nossa sociedade, seja pelos atrasos intermináveis nos processos ou pela condução árbitraria da lei. Por isso mesmo, fiquei bastante surpresa com a decisão de uma juíza em Curitiba, favorável ao homem que ia perder a sua casa no leilão da Caixa Econômica Federal por não ter quitado a dívida. O homem deixou o emprego e gastou tudo o que tinha para procurar um diagnóstico e a cura para a doença do seu filho (gangliosidose GN1 tipo 2, que impede a reprodução de neurônios que degeneram). A juíza sensibilizada com a situação, conseguiu que a verba do fundo pecuniário da justiça fosse utilizada para quitar a casa. O pai cuida sozinho do filho, ajuda duas outras crianças com a mesma doença, é voluntário na escola onde o filho estuda e tem uma pequena oficina mecânica em casa para conciliar o trabalho com os cuidados que o rapaz exige. A juíza espera que a decisão sirva de precedente para que as instituições financeiras possam perdoar dívidas em casos excepcionais como esse. Um belo exemplo de que fazer justiça nem sempre significa somente aplicar a lei.

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A Lógica Capitalista

Há alguns anos atrás eu e meu marido fomos ao banco reclamar de alguma coisa que nem me lembro mais o que era. Argumentamos que éramos excelentes correntistas, pois em quinze anos como clientes do banco nunca tínhamos passado um cheque sem fundo, feito um empréstimo ou usado o cheque especial. Impassível, o gerente ouviu os nossos argumentos e disparou: - Pois é, por isso mesmo vocês são péssimos clientes, o banco não ganha um centavo com vocês! Saímos de lá atarantados e compreendemos, finalmente, que a lógica capitalista funciona ao reverso do bom modelo de cidadania. Um bom cidadão para o sistema é aquele que consome muito, fica endividado e recorre ainda mais ao sistema financeiro, de preferência pelo resto da vida. Tem um filme bobo no qual o chefe não promove uma funcionária porque ela não "precisa do emprego". Ele cita dois exemplos: fulano tem três filhos e precisa trabalhar e beltrano acabou de comprar uma mercedes. Eles dariam o sangue pelo emprego, mas você não tem nada, família, marido, bens... É um pouco assim que funciona a lógica do consumismo, você só pode ser feliz se seguir o padrão de comercial de margarina e o que as revistas femininas pregam. Tenha uma super casa para dar inveja aos seus amigos e familiares, não para ter conforto e segurança. Compre um carro pelo mesmo motivo e des-fi-le com ele pelas ruas, esnobando o seu sucesso sobre os outros. Medimos o sucesso ou o fracasso das pessoas não pelas suas credenciais humanitárias ou intelectuais, mas sim pelo que elas posssuem. A garagem de um prédio é um bom exemplo disso, sabemos quais são os vizinhos abastados e os que são pobres coitados. Ostentar é mais importante do que ter que é muito mais essencial do que ser.Tenha a bolsa certa, mesmo que ela custe meses de salário de alguém, seja independente e ousada (para conseguir um bom marido), tenha filhos, mas fique em forma, faça plástica, faça dieta, compre muito mais do que precisa e talvez, somente então, você consiga ser feliz! Felizmente, já faz um certo tempo que descobri que um par da sapatos Manolo Blahnik não ia mesmo mudar a minha vida...

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Para quem gosta de super-heróis

A Lola escreveu sobre o filme Homem de Ferro 2 e, mesmo concordando com todas as críticas, confesso que gostei do filme. O que mais me agradou foi o cinismo intenso em todas as situações: o vilão é um cretino vendedor de armas, o antagonista é um físico brilhante debochado e malvadão (russo, é lógico!) e o governo americano querendo roubar o equipamento usando os seus políticos é uma hipocrisia sem fim. Tony Stark (Robert Downey Jr) faz o filme todo valer a pena, a cena no senado é um espetáculo de inteligência e humor. Em alguns momentos o roteiro fica solto, vários exageros acontecem, mas vejo o filme como uma grande piada crítica sobre a venda de armas e a guerra. Não gostei do papel das mulheres no filme - Pepper Potts, feita por Gwyneth Paltrow e Scarlett Johansson, a viúva negra - as duas parecem deslocadas, sem ter muito o que fazer. Elas não acrescentam nada, mas também não atrapalham. O romance do herói com Potts não é explorado a não ser no beijo sem graça já no final do filme. Outro furo imperdoável foi a invenção de um kit armadura claramente inspirado em Transformes, mas nada foi pior do que a substituição do ator Terrence Howard do primeiro filme por Don Cheadle (ambos atuaram em Crash no Limite). Dizem que ele foi demitido por questões salariais, o que duvido muito porque os caras assinam contratos para as continuações desde o primeiro. Seja como for, se eles pensaram que a troca ia passar despercebida, se deram mal porque quem viu o primeiro identifica logo a substituição. O que é interessante no filme é que queremos ver o herói como uma pessoa comum, ele é tão interessante como um ser humano do que quando se monta todo e sai voando. Fora tudo isso e mais alguma coisa que a Lola comentou, é um filme para distrair mesmo, não é para pensar muito.

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O tempo não cura, apenas ameniza...

A sabedoria popular diz que o tempo cura tudo, mas é apenas uma tentativa de nos confortar em momentos de profundo desespero. Perdi o meu baba há quase seis anos, mas ainda passo por momentos de profunda tristeza que podem ser desencadeados por inúmeras razões: um carro igual ao dele, uma pessoa parecida, um filme lançado que ele gostaria de ver etc. No prédio em que eu morava, as pessoas viviam se confundindo com a numeração dos andares. Era muito comum um estranho abrir a porta e ir entrando até se dar conta que estava no apartamento errado. Uns seis meses depois da morte do meu pai, eu estava na cozinha quando a porta se abriu e vi de relance o vulto de um homem com as mesmas características físicas dele. Até a camisa polo era igual! Fiquei estática sem saber o que pensar, até que o homem percebeu o engano e se virou para pedir desculpas. Depois que ele saiu fiquei sentada no banquinho da cozinha chorando copiosamente. Não que eu pensasse que ele iria voltar, é claro, mas sabe aqueles segundos de esperança? Eu já me via dizendo: - Nossa todo mundo pensou que você tinha morrido, imagina quando eles souberem que você está aqui! Não existe lógica, o fantástico costuma operar a pleno vapor quando nos conscientizamos que nunca mais veremos aquela pessoa outra vez. A mente humana não lida muito bem com conceitos como sempre, nunca, infinito etc. O fato é que o desespero da perda com o tempo é o mesmo, a saudade não diminui, só aumenta, e seguimos em frente porque precisamos, não porque queremos. Seria mais honesto dizer que os momentos de desesperos serão menos frequentes e mais suaves, mas enquanto houver memória e amor, eles não desaparecerão!

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Depende do que vem depois...


Não é muito fácil manter a racionalidade diante das cenas da polícia batendo em professor por duas razões: sou professora, filha de professora e minha mãe também apanhou da polícia no Rio de Janeiro, na década de 80. A foto que está bombando na blogosfera mostra um sujeito (que todos pensavam ser um professor), carregando uma policial ferida durante o protesto de professores em São Paulo. Mais tarde, foi divulgado que o sujeito é um policial à paisana, infiltrado no protesto. Bom, sabe aquela história, depende do que vem depois? Diante de um fato novo, o fazendeiro filosoficamente dizia: pode ser bom, pode ser ruim, depende do que vem depois. Pois é, ela se aplica muito bem ao caso. Diante das fotos que mostravam um professor (aparentemente) carregando um policial ferido, todos se comoveram e apontaram a imagem como uma expressão da falta de bom senso de todo o confronto. Pode ser bom, pode ser ruim. Depende do que vem depois. A Polícia Militar de São Paulo para provar que professor é tudo raça e nenhum deles é bonzinho, lança um comunicado afirmando que o dito cujo era um policial à paisana. Pode ser bom? Depende do que vem depois. Perplexos, os blogueiros não entendem como um policial pode ter barba e concluem que ele é um infiltrado P2, como nos áureos tempos da ditadura. Pode ser bom? Depende do que vem depois. A polícia tenta explicar e se enrola mais ainda, afirmando que o sujeito é marido de uma professora e estava no evento para apoiar o protesto. Pode ser bom? Pode. Serra deve perder a eleição!

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Parto natural é um direito, não uma imposição

Já vou começar a postagem afirmando que compreendo perfeitamente que o parto normal ou natural é a melhor opção para a mulher e para o bebê, estou ciente que a recuperação é mais rápida, e que muitas cesarianas são realizadas desnecessariamente. Não pretendo chover no molhado, mas gostaria de palpitar sobre o outro lado da questão, a ansiedade e angústia que muitas mulheres são submetidas por causa da pressão por um parto normal, de preferência, sem anestésicos. É justamente aqui que começo a ficar cabreira, como mulher e como mãe, já que não entendo nada da parte médica. Por incrível que pareça, toda grávida será bombardeada por um volume absurdo de informações contraditórias. Já fiquei grávida três vezes, e não teve uma em que eu não encontrasse algum conhecido que me descrevesse uma história dramática na qual a mãe e o filho morressem no final. Nos últimos anos, temos que acrescentar ao rosário de conselhos e tragédias, os olhares reprovadores de quem não conseguiu ter um filho de parto normal. Lembro de um trabalho científico que afirmava que os nascidos através do parto cesariana tornavam-se indolentes enquanto os nascidos através do parto normal eram ativos e empreendedores (???). A mensagem é que você é uma mãe fracassada se teve um filho através do parto cesariana, ou se teve um filho de parto normal, mas pediu uma peridural, é uma fraca. O bacana é ter o filho dentro de uma banheira, sem "drogas" ou qualquer tipo de ajuda. Respeito muito quem faz isso, uma grande amiga teve os seus filhos assim e a considero uma pessoa corajosa e forte. Mas isso não significa que eu seja uma incompetente molóide por ter feito cesarianas. Não tenho culpa se tenho um quadro de pré-eclâmpsia, como muitas outras mulheres tem complicações que as impedem de ter filhos com parto normal. Toda mulher deve ter direito ao parto natural, mas também deve ter o direito de escolher tomar anestesia sem se sentir pressionada ou angustiada por isso. Tenho a impressão que o sistema sempre se apropria das reivindicações de forma distorcida, como o alojamento conjunto que virou uma excelente desculpa para não se contratar mais enfermeiras para o berçário. Impor o parto sem anestésicos ou qualquer outro apoio, me parece uma boa alternativa para diminuir os custos. Ouvi uma história de que na rede pública dos municípios pobres, a anestesia no parto normal não é uma opção. Um enfermeiro disse a seguinte frase: "se elas já tem um filho atrás do outro sentindo dor, imagine se tomarem anestesia!" Ou seja, nada mais machista voltar ao pecado original no qual as "Evas" estão condenadas a parir com dor!

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Coisas da imprensa


É isso que dá não combinar a mentira antes: segundo a coluna da Patrícia Kogut, no Jornal o Globo, a ex-BBB Priscila Pires substituiu o ex-BBB Diego Alemão no programa A Eliminação, porque foi "convidada por ele". Porém, em outro grande jornal, o próprio afirma que "não sabe porque foi substituído", embora desconfie que tenha alguma relação com os comentários grosseiros que fez sobre Elenita, após a entrevista. O pior é que o cara nem percebe que foi estúpido também durante a entrevista, fazendo um gesto de nojo diante de uma tentativa de aproximação física da entrevistada. Mas é isso que acontece quando se coloca alguém para fingir que é jornalista, quando se finge que publica notícia no jornal, quando se pensa que é blogueiro, e por aí vai...

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