quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Mulheres Negras Formadoras de Opinião (nos EUA)

A vencedora de melhor atriz coadjuvante no Golden Globe foi a apresentadora de talk show, atriz e comediante, Mo'Nique. O filme que rendeu o prêmio foi Preciosa, uma história deprimente sobre uma adolescente negra maltratada pelos pais. O filme é produzido pela Oprah, um fenômeno da mídia americana. O sucesso de Mo'Nique (e do filme Preciosa) me fez pensar no papel das mulheres negras na mídia americana. Tanto a Oprah quanto a Mo'Nique (mantendo as devidas proporções) são mulheres negras, líderes de audiência com seus programas e formadoras de opinião. Elas orquestram com uma força esmagadora o pensamento e o comportamento de milhares de mulheres americanas. O surpreendente? A maior parte das mulheres que assistem aos programas são brancas! É só olhar o público que participa efusivamente do programa da Oprah. A maior parte das mulheres que estão na platéia ou sentadas no sofá, são brancas. É importante ressaltar que os programas tratam de coisas simples do cotidiano das mulheres: casamento, divórcio, filhos, dívidas etc. As duas tem uma origem humilde, batalharam e conseguiram um sucesso estrondoso. No Brasil, o quadro é inverso. As nossas apresentadoras são loiras, brancas e pertencem ao quadro da classe média ou da elite brasileira. Ana Maria Braga foi casada com um milionário tempos atrás e Hebe Camargo já faz parte das gracinhas do Maluf faz tempo. Elas estão o tempo todo preocupadas em dar lição de moral para o seu público e poderiam ser representantes de qualquer movimento W.A.S.P (movimento conservador dos brancos americanos protestantes) sem medo se ser feliz. Este quadro indica duas coisas: a sociedade americana e mais complexa e flexível do que eu pensava e a classe média brasileira é tão conservadora e elitista que beira o ridículo.

sábado, 23 de janeiro de 2010

A Duquesa: qualquer semelhança não é mera coincidência

Quando um relacionamento dá errado, seja um casamento ou um namorico, é comum fazermos uma reflexão sobre as razões do fracasso. Nesse momento, a palavra "se", também conhecida como sinônimo de inutilidade, bate recordes de uso. Se tivesse feito assim ou assado, se tivesse percebido, enfim, nos atormentamos durante horas com a maldita palavra de duas letras. É sempre interessante trocar experiências com outras mulheres, avaliar melhor os equívocos e ter a certeza que não somos as únicas mulheres na face da Terra que nos enganamos. Quando eu assisti o filme A Duquesa fiquei incomodada com a história daquela mulher tão rica e glamurosa, invejada por todos. É um filme triste, que traz uma violência sutil e opressora que parece pertencer à outra época. Quando o filme terminou eu fiz uma pesquisa na Internet sobre a vida de Georgiana, a Duquesa de Devonshire e descobri que entre as suas descendentes mais ilustres estão a Princesa Diana e Sarah Ferguson, Duquesa de York. Fiquei surpresa, não pelo parentesco, mas porque as duas mulheres descendentes de Georgiana tiveram um destino igual ou pior. Com exemplos dentro da própria família, porque nenhuma das duas teve o bom senso de pensar que poderia acontecer a mesma coisa com elas? A semelhança é impressionante, Georgiana teve que entregar a sua filha gerada fora do casamento por imposição do marido (embora tenha cuidado da filha ilegítima dele como se fosse sua). Uma das acusações feitas oficialmente pelo pai do Dodi Al Fayed (não é somente uma fofoca ou maluquice) afirma que a Diana estava grávida e por isso foi assassinada pelo serviço secreto inglês. Pelo visto, ela não teve a alternativa de se esconder no interior para dar à luz escondida dos olhos do mundo. Fergie escapou de um destino trágico, mas vive agora enclausurada e seguindo orientações expressas da família real depois de ter esbanjado fortunas e falido (a Duquesa Georgiana também morreu afundada em dívidas de jogo apesar da fortuna da família). Na minha família, os exemplos negativos e positivos são repetidos à exaustão para que nenhum de nós possa alegar mais tarde que não sabia que ia dar errado. Vai desistir de estudar? Olha o tio João que acabou como jardineiro da prefeitura de São Fidélis. Quer beber? Não esqueça do primo Pedro, beberrão que morreu com o fígado estourado. Será que ninguém contava as tragédias familiares para as duas? O que me impressiona é que em pleno século XX, a situação das mulheres da aristocracia inglesa são tão limitadas quanto a vida de Georgiana no século XVIII! Não são mulheres poderosas, são propriedades de homens poderosos e isso faz muita diferença...

domingo, 10 de janeiro de 2010

Por que o casal Brangelina incomoda tanto?

Não fique entediado, este post não é sobre fofocas de celebridades, o buraco é bem mais embaixo. A notícia vinha de um jornal sério: Brad Pitt está considerando filmar com a ex Jennifer Aniston, as negociações já estão adiantadas, embora a atual esposa não veja o trabalho com bons olhos. Achei interessante porque a notícia não estava em um tablóide de fofocas, mas sim na primeira página de um jornal que, supostamente, tem coisas mais importantes para se preocupar. Ao ler a matéria, acabei lembrando de várias outras notícias na mesma linha: Brad Pitt se encontrou com a ex em Nova York para reclamar do seu casamento, Angelina expulsou Brad Pitt de casa, Brad Pitt diz que Angelina não ama sua filha biológica como os outros filhos, etc e tal. Teve uma que eu vi, ninguém me contou, George Clooney afirmando não entender porque Brad Pitt largou uma mulher maravilhosa para ir cuidar dos órfãos de Jolie. Fiquei me perguntando, por que a mídia não gosta do relacionamento dos dois? Por que existe uma torcida declarada para que dê errado? Talvez a resposta esteja no fato do casal adotar crianças de países pobres, ter optado por ter a primeira filha biológica na África, ser o casal que mais faz doações para a caridade nos EUA e não incentivar o consumo desenfreado dos filhos. Isso é notório, enquanto Suri Cruise desfila com roupas de grife e a mãe gasta 40 0000 dólares para enfeitá-la, a filha do casal Brangelina aparece vestida como criança. Pelo visto, isso é crime inafiançável no mundo das celebridades. Dentro da lógica de consumo capitalista (e os valores que são repetidos até a exaustão pela mídia), ter uma família multiracial, estar preocupado com os miseráveis no mundo e jogar dinheiro fora com caridade, não é muito recomendável... Um bom capitalista só dá dinheiro para a caridade quando se sente ameaçado pelos miseráveis. Aqui na minha cidade tem um shopping ao lado de uma favela e o dono do shopping pratica o assistencialismo com os pobres para evitar que eles incomodem a sua clientela. Não existe a possibilidade de ser rico e famoso sem ser consumista, arrogante e egocêntrico. O fato do casal não viver dentro de uma bolha como fazem outras celebridades, incomoda sim, e muito. É como um desafio ao status quo, o sistema permite que a celebridade se envolva com drogas, sexo, decadências em geral porque isso dá ibope, mas ser socialmente responsável, nem pensar! É uma praga pior do que o comunismo. Pior ainda é o passado de Angelina, drogas, casamento conturbado, briga com o pai, lesbianismo. Imagina só, trocar a perfeita Aniston por uma destruidora de lares! Se não der errado, as engrenagens da mídia e da sociedade estarão em risco. Só tem um detalhe: mesmo que o casamento dos dois acabe amanhã, o tempo que passaram juntos e as suas ações já melhoraram um pouco o mundo...Sorry, bitch!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

2010: O ano em que faremos contato (espero!)

Obviamente o título do post se refere ao filme do Kubrick, baseado na obra de Artur Clark. Não sei se faremos contato com extraterrestres em 2010, mas seria muito bom conseguir fazer contato com outros seres humanos mesmo. Contato como sinônimo de diálogo, tolerância, paciência e respeito ao outro. Tenho sentido muita falta de contato pelo mundo afora, seja no mundo real ou no mundo virtual. As pessoas hoje estão muito preocupadas em ter razão, fazendo com que a realidade se transforme na sua própria verdade. A verdade é o que eu quero, não existem outros pontos de vista e possibilidades. Quando eu tinha sete anos de idade tive uma alucinação, vi um avião caindo no quintal da minha tia e quase surtei. Na época ninguém pensou em me levar ao médico, mas eu cresci com a certeza de que as coisas poderiam não ser como eu pensava. Assim, todas as vezes em que eu me vejo diante de um fato decisivo, eu pergunto aos amigos se a minha percepção é real. Parece uma bobagem, mas essa preocupação me tornou mais humilde e mais atenta ao olhar do outro (além do fato de eu morrer de medo de estar ficando maluca, é claro!). Hoje eu não uso mais a expressão "eu tenho certeza que" ou então "você fez isso comigo". Opto por usar "eu penso que" ou "você me faz sentir". Sem uma atitude determinista diante dos fatos, a minha vida ficou bem mais fácil. É por isso que espero que 2010 possa ser muito melhor para todos nós e que cada encontre o seu caminho, tornando a sua vida melhor e a dos outros também. E como comecei o texto falando de cinema, vou colocar aqui um vídeo que encontrei no blog Groselha News, com um texto maravilhoso repleto de esperança da Srta Bia. Feliz ano novo!


domingo, 20 de dezembro de 2009

Blogueiros, a China é aqui?

Enquanto advogados decidem que um bom filão para ganhar dinheiro é perseguir blogueiros e suas opiniões na web, nos EUA é possível criar um paródia ridicularizando uma importante companhia aérea que não cuidou da bagagem de seu passageiro como deveria. Há alguns meses atrás fiquei muito aborrecida quando uma colega de trabalho, professora como eu, pediu que eu fizesse uma correção no meu blog sobre um evento que nós duas tínhamos participado. Parecia que meu blog era um site institucional ao qual ela estava fornecendo as informações para publicação. Tentei explicar o que era um blog, que eu tinha registrado uma opinião sobre o evento e não um informe etc e tal, mas é claro que a nossa relação acabou ficando estremecida. É interessante que já vi pessoas reclamando que quando são entrevistadas para os jornais, suas palavras são deturpadas ou cortadas e quase sempre o resultado final é bem diferente do que o entrevistado pretendia, mas apesar das reclamações, nunca vi alguém desistir de dar entrevistas por conta disso. As desculpas da imprensa oficial são variadas, falta de espaço, modificação na pauta, pressão dos editores ou patrocinadores, enfim, todo argumento é válido porque estamos falando de grandes grupos de comunicação. Não é possível ignorar a coincidência entre a repressão aos blogs e a campanha presidencial em curso, e se algo não for feito rapidamente, todos os blogueiros não poderão emitir uma só opinião, seja sobre o que for, política, comida, sexo, roupas, programas de televisão... Pelo visto, a China é aqui...


sábado, 19 de dezembro de 2009

Serra e The Terminator


Quando Arnoldão foi candidato ao governo da Califórnia, os adversários usavam a expressão "The Terminator" para dizer que o eventual "Governator" republicano tinha tudo para acabar com a gestão pública do Estado. Obviamente não deu certo, Arnoldão se elegeu e recentemente trocou uma dúzia de palavras com o Serra (vulgo Zezinho ou Zé Alagão). O encontro constrangedor foi editado e transformado em uma piada nacional. Bem feito! Quem disse para o Serra que ele teria popularidade ao se encontrar com Arnaldão?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Snark"- Porcos e Diamantes?

Uma baixaria sem tamanho na blogosfera me fez relacionar o título do livro com o "Snatch - Porcos e Diamantes". Para esclarecer quem não está sabendo do assunto, vou falar sobre o livro e poupar vocês do resto: "poucos livros causaram mais polêmica nos EUA nos últimos meses do que “Snark”, escrito pelo crítico de cinema da “New Yorker” David Denby. Ele defende a tese de que a linguagem virulenta, leviana e melíflua na grande mídia americana — um conceito que vai dos grandes prorgamas de rádio e TV a blogs como Gawker.com — está destruindo a capacidade de conversação dos americanos, interessados mais em esmagar reputações e posturas do que exatamente trocar ideias e vencer o debate ideológico. Mas o livro bate mesmo é na internet, para Denby o ambiente ideal para os adeptos do “snark”. Ele acusa blogueiros de praticar a leviandade verbal porque não possuem nem os recursos nem a disposição de apurar jornalisticamente os fatos. E acusa os jornalistas de fazerem o mesmo numa espécie de resposta aos blogs, perpetuando um discurso raivoso e vil". (Fonte Prosa Online). Foi exatamente isso que me chamou atenção na briga dos blogueiros, o discurso pesado e virulento de um deles, embora acuse o desafeto de ser "descontrolada, desequilibrada e instável", conseguiu alcançar a incrível marca de 27 ofensas em apenas um post. O pior mesmo é o teor dos comentários que reforçam e multiplicam a agressividade da autor, complementando com frases do tipo "ela precisa mesmo é de uma rola". Sim, porque as mulheres são sempre descontroladas, loucas, passionais, bem diferente de um homem, como o próprio autor afirma, um grosso assumido com muito orgulho. Em tempos politicamente corretos, um homem descontrolado também poderia precisar de uma rola, mas ninguém nunca diz isso. E os comentários de apoio não são só masculinos, várias mulheres dão apoio ao autor,admirando o teor ácido das palavras e o fato dele ser um "cara grosso, mas ético"(???).Não estou nem discutindo quem tem ou não razão, não é o mérito da discussão que me interessa, mas sim como os desdobramentos do debate são tratados. Você pode estar irritado com alguma coisa, mas é realmente necessário expressar a irritação com tanta agressividade? Como autores, podemos realmente controlar os efeitos de nossas palavras sobre os outros? Não acredito que o discurso raivoso e cruel seja eficiente na trasmissão da mensagem, seja ela qual for. Ele apenas incita a agressividade nos outros, formando uma onda de emoções pouco recomendáveis. E para que? Para provar que eu tenho razão em alguma coisa, mesmo que já tenha perdido na forma do argumento? Acredito que o Denby tenha trazido uma discussão importante que precisa ser encarada na blogosfera. Em tempos de defesa dos blogueiros perseguidos pelas corporações e políticos, precisamos também avaliar os nossos limites e os efeitos das palavras colocadas na rede. Estamos falando de porcos e diamantes e diante da disputa, vocês decidem quem é quem.