segunda-feira, 2 de novembro de 2009

As aparências sempre enganam

Já faz um tempinho que eu queria escrever sobre a foto que compara as roupas e o "estilo" de Suri Cruise (filha do Tom Cruise e da Katie Holmes) e Shiloh Pitt (filha de Brad Pitt e Angelina Jolie). O tom da manchete da revista me deixou chocada porque se trata de uma questão machista disfarçada de um olhar fashion. Com a história de aluna que foi humilhada por causa da saia curta, o assunto voltou a martelar na minha cabeça. Vamos por partes: porque a Suri é considerada a queridinha da moda e faz a festa dos fotógrafos? Porque escolhe as próprias roupas, como afirmou a mãe? Rá, eu tenho uma filha de quatro anos que também escolhe as roupas, mas o resultado é beeeem diferente. O pais estão querendo nos convencer de que a menina tem um dom de escolher marcas famosas e combinações fashionistas? Ninguém fica chocado quando vê uma menina de três anos usando saltos altos? Agora, o outro lado da moeda: porque as roupas despojadas de Shiloh causam tanto desgosto nos jornalistas? Porque até onde eu entendo, ela é uma criança, e crianças sempre vão optar por roupas confortáveis ou roupas que lembram uma fantasia de qualquer coisa. O pior é a insinuação de que uma é doce, frágil e meiga e a outra masculinizada e desleixada. Qual é a semelhança com a aluna agredida na Universidade? Bom, o recado está claro, vista-se do jeito que as pessoas esperam, sair do padrão é correr riscos. A moça errou ao usar o vestido curto? Sem dúvida, mas não por ter atraído a violência, mas sim por ter subestimado a cretinice dos seus colegas. Ela estava jogando com as cartas que nos orientam diariamente, seja através da reportagem enaltecendo a Suri Cruise ou na revista Nova com os seus decotes de arrasar ou cabelão para seduzir. Talvez ela não tenha compreendido o que o sistema insiste em nos dizer, mas vamos reconhecer que é tudo muito confuso. A velha história da dama na sala e puta na cama é de enojar, mas nada parece ter mudado desde então. Quando eu estava na Universidade (pública, diga-se de passagem) eu usava camisetas sem sutiã. A comissão de frente avantajada sempre chamava a atenção, até que um dia um professor renomado, doutor, apalpou os meus peitos no corredor! Sem cerimônia, sem clima, sem qualquer preâmbulo sexual. Obviamente que eu fiquei chocada com o gesto, mas mais chocada ainda eu fiquei quando contei para os colegas mais próximos. Uma delas disse que a culpa era minha por andar sem sutiã mostrando os peitos por aí. Reparem só, foi uma mulher que fez o comentário, e não os homens. E quer saber? Eu vesti a carapuça e nunca mais usei este tipo de roupa naquele espaço. Isso aconteceu há mais de vinte e cinco anos, e eu queria acreditar que a sociedade mudou para melhor.Afinal, temos a lei Maria da Penha e o debate sobre as questões de gênero vem progredindo bastante. Infelizmente, ao ler manchetes como essa e assistir ao vídeo da aluna sendo agredida, começo a pensar que estou muito enganada...

sábado, 8 de agosto de 2009

Ser uma boa mãe...

Ao anunciar a possível gravidez de uma modelo/atriz/whatever,sempre tenho visto o complemento "ela será uma ótima mãe", citando fontes que não querem se identificar (aliás, porque alguém não se identificaria ao fazer um comentário desses?). Fico pensando o que define uma boa mãe, ou se é possível afirmar que alguém será uma mãe maravilhosa de antemão. Sim, porque muitos fatores influenciam no processo de construção de uma mãe. Mãe não vem pronta, não tem prova, muito menos exame de qualificação. Conheço pessoas que viviam dizendo que queriam a maternidade como o objetivo mais importante de suas vidas, e quando isso de fato ocorreu, o resultado foi um desastre. Foi mais ou menos isso que a primeira temporada de Desperate Housewives mostrou com o desespero de Linette em cuidar dos seus filhos. A maternidade pode não ser encarada por todo mundo da mesma forma. Eu me lembro de ter lido a revista Pais e Filhos quando estava grávida, e todas as reportagens falavam sobre a maternidade como um processo mágico e idílico. A realidade foi um golpe, não porque eu não a desejasse, mas porque eu percebi que não estava preparada. Diante de uma dor insuportável da cirurgia, seios rachados, e um bebezinho que era tão frágil que parecia parar de respirar em alguns momentos, o cenário era de confusão e desespero. Obviamente, depois de algumas semanas tudo foi se ajustando, eu mesma criei os atalhos necessários e deixei de lado os conselhos bem intencionados (mas pouco prático dos familiares). Encontrei o meu lugar no novo contexto da minha realidade e superei as dificuldades iniciais. Não sei se posso dizer que sou uma mãe maravilhosa, mas sei que me esforço bastante. Uma coisa eu tenho certeza: a não ser que se use processos pouco ortodoxos (como adivinhação, cartas, leitura das mãos etc), não é possível prever a qualidade da maternidade de ninguém. Nem mesmo das privilegiadas celebridades...